País teve mais de 1,1 milhão de alunos no ensino a distância em 2004

Pela primeira vez na história o Brasil possui dados concretos sobre o status da educação a distância (EAD) em todo o país. Os números levam em consideração todos os níveis de ensino oficialmente credenciados por conselhos de educação (federal, estadual e municipal) e informações das seis maiores entidades que atuam no setor. Trata-se da primeira edição do Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância (Abraed 2005), lançado pelo Instituto Monitor e pela Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância).

Segundo o levantamento, em 2004, pelo menos 1.137.908 de brasileiros se beneficiaram de algum curso de ensino a distância no país. A cifra representa a soma do universo de alunos de instituições oficialmente credenciadas com o número das seis maiores instituições que ofertam a modalidade: Sebrae (176.514 alunos), Fundação Roberto Marinho - Telecurso 2000 (393.442), Senai (10.305), Senac (37.973), Governo do Estado de São Paulo (132.223) e Telemar (77.494).

Deste total de 1,1 milhão, 309.957 estavam matriculadas em cursos oferecidos por 166 entidades credenciadas, como universidades públicas e privadas que seguem uma regulamentação específia do poder público. Estes estudantes estão distribuídas pelo ensino fundamental, médio, seqüencial (curso superior de curta duração, normalmente de 2 anos), técnico (ensino médio profissionalizante), EJA (Educação de Jovens e Adultos), graduação, e pós latu sensu (especialização).

"É importante lembrar que este levantamento está longe de considerar a integralidade da enorme profusão da EAD por ambientes diversos, como o mundo corporativo, ou ainda os cursos livres [música ou línguas estrangerias, por exemplo] ministrados pelas escolas credenciadas oficialmente pelo sistema formal de ensino", diz Fábio Sanchez, coordenador da equipe responsável pelo Anuário.

Até hoje, os únicos dados oficiais sobre EAD se referiam à graduação e a cursos de pós-graduação, que são coletados a cada ano pela Seed (Secretaria de Educação a Distância), órgão ligado ao MEC. Os últimos números tornados públicos, porém, eram de 2003. Já os dados relativos aos ambientes estaduais e municipais, por serem de responsabilidade de cada Estado, nunca haviam sido reunidos e quantificados pelo ministério.

Essas instituições credenciadas nos Estados e municípios são responsáveis pela educação a distância de mais de 150 mil pessoas, segundo destaca o Anuário, e representam 48,6% do universo de alunos de todas as instituições autorizadas pelos governos no país a ministrar cursos a distância. É quase o mesmo número de pessoas da educação no nível superior, que possui 159.366 estudantes

"O que nós fizemos foi entrar em contato com cada conselho estadual e municipal e levantar quem oferece EAD, como e para que público as aulas são voltadas. Essas outras instituições já faziam pesquisas próprias e independentes. Nós apenas somamos e comparamos tudo", explica Sanchez.

Alunos de EAD no Brasil em instituições oficialmente credenciadas
Nível de credenciamento Tipo de curso Número de alunos %
Federal Graduação e Tecnológico 89.539 28,9
Pós-graduação e seqüenciais 61.637 19,9
Consolidados* Graduação e/ou pós 8.190 2,6
Totalização no nível federal 159.366 51,4
Estadual EJA, Técnico, Fundamental e Médio 150.571 48,6
Municipal Técnico 20 0,006
Total geral 309.957 100
* Três instituições informaram o número de alunos consolidando dados de graduação com os de pós-graduação
Fonte: ABRAED/2005

Crescimento

Mesmo com a falta de dados, Sanchez diz que é possível afirmar que o ensino a distância é, de longe, a modalidade que mais cresce no Brasil.

"No caso da graduação e pós-graduação, em que é possível comparar os números oficiais [de 2003, do MEC] com os não-oficiais [Anuário], já que o Censo do MEC só deve sair em outubro, verifica-se que em quatro anos o número de alunos matriculados nessas duas modalidades cresceu 44 vezes, apenas até 2003. Se incluídos os números de 2004, o crescimento é de mais de 90 vezes".

CURSOS E MATRÍCULAS EM GRADUAÇÃO E PÓS
2000: 013 cursos -- 1.758 matrículas
2001: 017 cursos -- 5.480 matrículas
2002: 202 cursos -- 59.772 matrículas
2003: 278 cursos -- 76.769 matrículas
2004: 382 cursos -- 159.366 matrículas

Outro dado indicativo o crescimento de EAD é aquele colhido junto a instituições credenciadas nos níveis federal, estadual e municipal e que registra a data de início de seus cursos.

"Fizemos uma pesquisa por amostragem. Colhemos informações de 62 instituições [37% do total do universo de 166 instituições de EAD], mas elas educam 64% do total de alunos, então é uma amostra representativa", diz Sanchez. Segundo ele, foi verificado um crescimento exponencial a partir de 2000. "Houve o lançamento de 77 cursos novos em 2004, contra 34 em 2003, 19 em 2002 e 11 em 2001", explica.

Os estudos coordenados por Sanchez também comprovam outras estimativas feitas anteriormente pela Abed. Mais da metade da oferta (54% das instituições) fica na região Sudeste do país, principalmente São Paulo. A região educa 53% do total de alunos a distância do país, o equivalente a 163.887 estudantes. O Nordeste tem o segundo maior grupo, com 18,7% do total de alunos, seguido pela região Sul (17%).

A mídia mais utilizada nas aulas continua a ser o material impresso (84% das instituições o utilizam). Segundo Sanchez, um dos motivos é a intimidade com que o brasileiro tem com o papel. Na seqüência aparecem o e-learning (63%) e o CD-Rom (56%).

Fonte: Folha de São Paulo



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 19h47
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Governo quer usar TV e apostila em projeto de universidade a distância

FÁBIO TAKAHASHI
da Folha de S. Paulo

A Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação (MEC) apresenta na segunda-feira o projeto de criação de uma universidade aberta no país. A idéia é oferecer educação a distância (sem presença física do estudante na sala de aula) preferencialmente a professores do ensino básico sem diploma de ensino superior ou a profissionais em busca de cursos de atualização.

O projeto será apresentado pelo secretário Ronaldo Mota durante o seminário nacional da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância), em São Paulo.

Segundo Mota, a universidade aberta deve utilizar a televisão no ensino, com apoio de apostilas --método semelhante ao Telecurso 2000, supletivo desenvolvido pela Fundação Roberto Marinho. "Quem tiver acesso à internet poderá utilizá-la", diz ele.

Uma parte da carga horária será presencial. A previsão otimista do secretário é que a instituição comece a funcionar em 2007. As universidades públicas, principalmente as federais, serão convidadas a participar.

Antes de definir o projeto da universidade aberta, a secretaria quer observar os resultados de dois programas: a formação de uma rede de pesquisadores de educação a distância e a criação de consórcios com empresas estatais (como Banco do Brasil e Petrobras) para formação de professores e de funcionários públicos.

A previsão é que os 600 pesquisadores comecem a ser selecionados, por meio de concurso, em junho. Os escolhidos devem começar a trabalhar em 1º de setembro.

Os resultados das pesquisas serão utilizadas na formação dos consórcios. No dia 2 de maio, haverá reunião da secretaria com o fórum de empresas estatais do país para acertar o programa.

Ainda não há estimativa de quantos alunos a universidade aberta poderá atender. "Só de professores sem diploma são um milhão de possíveis alunos", diz.

Segundo a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), a partir de 2007 não poderão ser contratados professores sem curso de graduação.

As universidades abertas já funcionam em outros países. Na Inglaterra, por exemplo, conta com cerca de 200 mil estudantes.

Mota afirma que praticamente todos os cursos de graduação podem ser oferecidos de forma não-presencial. "Carreiras como medicina eu nunca vi em nenhum lugar do mundo", afirma. "Para os outros, não há impedimento."

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valerá a pena o Estado continuar a aprovar projetos de formação de professores a distância a instituições privadas de educação, quando depois vem liquidar esses projetos com idéias como estas? Não é que a idéia seja ruim. O que se passa é que só as instituições federais terão direito ao bolo. Infelizmente também sabemos quais serão os lobbis que muitas vezes se desenvolvem nesse processos. E as instituições privadas continuarão a ter de investir em pesquisa e tecnologia sózinhas e sem apoio. Será que não existirá nas instituições privadas sinergias que podessem ser incoporadas a essa proposta?

João José Saraiva da Fonseca



 Escrito por João José Saraiva da Fonseca às 10h48
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